quarta-feira, 16 de junho de 2010

O dia D

Casaram-se cedo. Ele tinha 23, ela 22. antes disso, namoraram por 5 anos. Uma pindura, nenhum dos dois tinha dinheiro pra nada. Foram morar na casa da mãe dela até encontrarem um apartamentozinho de aluguel, pequeno, em que coubessem as poucas coisas que tinham. Nem pensavam nisso porque ter um ao outro bastava.
Porém Ricardo, ele, sempre trabalhou muito e gostava de pensar que em um futuro não muito distante poderia dar a ela as coisas que naquele momento não podia.

Nesta época, era graça ir comer um cachorro-quente sentado da calçada nas noites frias do bairro da Lapa onde moravam. Era o que podiam fazer e era tudo tão divertido. Ele trabalhava em horário comercial, ela estava na faculdade de manhã, a noite estavam juntos e o dinheiro até dava para irem ao cinema aos sábados, mesmo que tivessem que economizar durante o mês todo para o dinheiro dar para as entradas e a pipoca.

O tempo foi passando e Ricardo conseguiu um emprego melhor. Ao invés de trabalhar por 9 horas, agora trabalhava por 11, mas as horas extras ajudavam a pagar a prestação do apartamento agora deles. Compraram-no para pagar em 12 anos, mas não havia problema: Não pretendiam se separar, mesmo. O tempo que passavam juntos era menor, mas agora podiam ir ao cinema e depois comer em um restaurante bacana no Bixiga. E agora tinham um carro bom que não daria trabalho e não quebraria no meio da Marginal Pinheiros como costumava acontecer.

Estabilizado no trabalho, Ricardo começou a querer trabalhar mais. Também não tinha outra escolha: Seu chefe exigia demais dele, tinha que cumprir muitas horas extras. Mas o dinheiro era bom. Sua mulher não se importava. Pensava em como eram duras as coisas no começo, em como ela sonhava com as roupas, sapatos, passeios que agora podiam ter - juntos. Passava a semana toda esperando pelo sábado, quando poderiam escolher os lugares, os filmes que assistiriam ou talvez ficar em casa, mesmo, vendo TV, planejando a vida, como sempre fizeram.

Anos depois, a vida já estava bem mai fácil pra eles. Ricardo já podia investir seu dinheiro e não se preocupava mais com isso. Comprara outro carro, um apartamento maior, um telefone melhor, de última tecnologia. Mas que não parava de tocar. Não raro estava em casa durante a noite, sábado e feriados  e seu celular BlackBerry tocava. Precisavam dele lá. Trabalho. Era dinheiro, não é? Bom para o futuro do bebê que estava chegando depois do tratamento que fizeram, caríssimo, inseminação artificial. Coisa que jamais teria sido possível se não trabalhassse tanto. Conseguira realizar o sonho da mulher e dele. Caro, sim. Mas que preço tem um sonho?

Hoje, aos 38 anos, Ricardo já teve princípio de infarte. Não se lembra quando foi a última vez em que saiu pra jantar com a mulher, tampouco quando foi a última vez em que sentaram-se na calçada para comer um cachorro-quente barato. O filho está com dois anos. Esses dias, chegou em casa e o menino estava andando e começando a balbuciar as primeiras palavras. Pra ele foi novidade: Quando foi que ele começou a andar?, perguntou Ricardo à mulher. Há uns 6 meses, disse ela. Ricardo não sabia de nada disso. Também não sabia que sua mãe estava muito doente. Sabia sim que ela precisou de dinheiro para um tratamento "qualquer" e não pensou duas vezes em deposita-lo na conta dela quando ela pediu. Não sabia que a mulher queria ter outro filho e nem que ela teve depressão pós-parto. Não sabe também que a mulher tem saudade da época em que eles podiam, juntos, sentar na calçada e comer um cachorro-quente barato. Desconhecia o fato de que seus amigos se casaram, se separaram também. Quando essas coisas aconteceram, ele estava muito ocupado pensando no futuro da família.

Família?

Entrou no quarto naquela noite, sentou-se na cama, ligou o laptop, colocou-o no colo e, ouvindo o choro do bebê e as bricadeiras que fazia com a mulher, sentiu-se só.

Saiba que escrevo, mas não mando. Mas saiba.

Uma coisa é fato. Você não tem ideia do quanto me importo, do quanto você é importante pra mim. Talvez por isso me faça as coisas que faz. Não, não são coisas graves. Aos olhos dos outros, os que parecem normais, é uma bobagem, mesmo.
É claro que você não vai ler isso e se o fizer não vai saber que escrevi pensando em você. Porque você não faz ideia do que sinto, mesmo. Talvez eu seja careta demais, séria demais, chata demais pras suas brincadeiras e isso me faz pensar no quanto tudo que sinto é uma bobagem grande, uma tentativa boba de fugir de mim mesma pra viver uma coisa que me faria voar de novo.

Me pego pensando, vira e mexe, no que me fez te dar tanta importância.

Você não sabe, por exemplo, que imagino muitas coisas boas entre nós. Certa vez fiquei imaginando que tinha comprado as passagens de avião, ida e volta, mas para o mesmo dia e que nosso encontro seria ali no aeroporto, mesmo. Eu chegaria com o meu casaco verde-militar - estaria muito frio - só com a minha bolsa preta, óculos escuros de aros azuis e um salto bem alto, minha bota preta que teria comprado só pra esse momento (porque não queria que você me visse tão pequenina como sou de verdade, queria causar um certo impacto de mulher forte). Ao me ver, você pensaria "Nossa, ela é linda mesmo. E mais alta do que eu imaginava". Você estaria vestindo calça jeans, camiseta escura, casaco marrom quentinho e tênis (bem do jeito que eu gosto), sem gel no cabelo preto que você tem - detesto gel no cabelo. Eu provavelmente pensaria em como você estava do jeito que eu imaginava e reparando no seu nariz pequeno e lindo e nas suas sobrancelhas grossas. Eu andaria por aquele corredor por onde passam as pessoas cheias de malas, você me esperando com um sorriso no rosto, me reconheceria de primeira, talvez por causa dos meus cabelos curtos e estranhos. Num primeiro momento, nos abraçaríamos apertado como se nos conhecêssemos já há algum tempo, porém como se não nos víssemos há anos e estivéssemos esperando por aquele momento ansiosos e temerosos. Não havia tempo. Eu tinha que voltar ao trabalho a noite, então passaríamos a tarde por lá, mesmo. Almoçaríamos em um daqueles restaurantes do aeroporto e você pensaria em quando sacrifício eu estava fazendo só pra te ver. Tentaríamos falar sobre o maior número de coisas possíveis porque o tempo era curto. Talvez sobre o show do Fito Paez por que tanto esperávamos e de que jamais chegava notícia alguma: "E o show do Fito Paez, hein? Em 2008 fui ao show dele aqui, foi muito foda", "Ah, que invejinha" - eu diria, pensando "Quero tanto te dar um abraço agora". Não nos faltaria assunto ainda que nos conheçamos pouco e saibamos pouco um do outro. Em uma mesa qualquer de lá, chegaria um momento em que nós dois ficaríamos em silêncio (como se tivéssemos combinado de nos calar) e daí então nos beijaríamos com carinho e seria tudo exatamente do jeito que eu pensava. Um daqueles beijos que se dão com carinho, morninhos, devagar. Aqueles beijos que damos em quem a gente gosta de verdade, abraçando de verdade e com delicadeza porque queremos tomar cuidado. Aqueles beijos que se dão segurando o pescoço, ou a nuca, de vez em quando fazendo um carinho no rosto.
 A partir daquele momento, o tempo passaria tão rápido que ao abrirmos os olhos já seria hora de eu embarcar de novo pra São Paulo, com uma angústia enorme de saudade do que nem imaginava viver um dia. Chorando bem pouquinho eu diria "Tenho que ir" e você diria alguma coisa muito linda, qualquer coisa que me fizesse pensar que nada havia acabado ali, mas que era o começo de tudo, um tudo que não queria terminar nunca, ainda que fosse mentira, só pra me deixar feliz porque acredita que não mereço desacreditar de uma coisa tão linda como aquela.
Eu embarcaria e, no avião, durante as 2, 3 horas de voo não conseguiria parar de imaginar outros momentos como aqueles que havíamos passado e pensaria em não ir trabalhar porque estava feliz demais pra isso. E durante muito tempo tudo aquilo seria meu principal pensamento, minha melhor lembrança na vida. Não fecharia os olhos tão cedo de medo de não conseguir sonhar com tudo aquilo - queria passar a vida toda me lembrando.
Sim, eu imaginei isso. Mas não quis imaginar o depois porque o depois das coisas é sempre tão incerto e, pelo menos nas minhas histórias imaginadas, gosto de ter certeza de tudo e tudo deu certo até então na historinha que criei.

Ainda te escrevo as outras coisas bobas que já passaram pela minha imaginação besta. Mas não te mandarei, não. Porque não vai fazer muita diferença, mesmo. As coisas serão sempre as mesmas: Espera, dorzinha, espera e outras coisas que não nomeio.

Quando você briga comigo, me dói tudo.
Passei a noite chorando e você nem sabe. Ou talvez saiba, mas nem imagina que foi por sua causa. Não, não foi você quem me causou mal. Ao contrário, ´você só me dá alegrias. Eu é que sou estranha.

Não tente imaginar o que sinto porque vai cometer um erro imenso. Meus sentimentos quem nomeia sou eu e detesto quando resolvem dar nomes às coisas. Elas já possuem seus próprios nomes, nescem com eles, ainda que não os conheçamos. O que sinto por você tem lá seu nome, sim, mas não deve haver um equivalente em Português (nem em Inglês, nem em Espanhol, já me dei ao trabalho de procurar por ele). Vou esperar até descobri-lo. Mas quando o fizer, não vou te contar, não. Porque talvez seja muito tarde pra isso e tudo já terá passado.

sábado, 16 de janeiro de 2010

AQUI É DO LADO DE DENTRO

Estou querendo viver comigo.
E isso é uma dor fantasma.
Aqui tem um desgaste qualquer
de qualquer coisa ainda sem nome.
Quando se interrompe o silêncio de aqui
por qualquer não-silêncio -
o barulho da fumaça saindo da boca,
o barulho das teclas,
o ar que vem  lá de fora
o ar que sai daqui de dentro, sem controle (não controlo, aceito)
o ruído da TV no outro quarto,
o pensamento, barulho que ensurdece (não controlo)
É uma dor fantasma.
É um cansaço de fatiga.
A dor existe porque acredito nela.

As outras coisas me cansam,
ainda que viver com elas - difíceis
seja um menor cansaço de aqui.
As tentativas de ver o outro
são a fuga que encontrei
pra não ver o que existe.
Aqui.
Estou tentando encontrar o que sei que há aqui no escuro
Apalpo, toco, reconheço:
Seda, ouro, linho, lixo?
Não vejo. Não identifico.
Não há identidade entre o que encontro e mim.

Sei bem que não falta nada
porque me tenho aqui: rígida,
forte, inteira.
Tremores, suores, cacoetes insuportáveis
ideias dos outros vazios que conheci
fora de mim.
Estou aqui. Tenho certeza(s).
Mas está escuro do lado de dentro.
Não quero sair, não quero.
Só quero acender a luz.

É uma dor fantasma.
Ela existe porque acredito nela.

sábado, 10 de outubro de 2009

PARA TUDO! OBAMA É PRÊMIO NOBEL DA PAZ??? (MAS... E EU? FICO COMO?)


Gente, não é por nada, sabe. Mas hoje estava indo trabalhar, num super mau-humor, óbvio, quando me deparei com a notícia: Barack Obama é prêmio Nobel da Paz. Nhé. Desculpa. Ele é um puta cara, teria votado nele com certeza, é bonitão (sei que isso não tem nada a ver, hahahaha) e está fazendo o que pode, mas Nobel da Paz? Ai, gente, pelamor. Se tem uma coisa que o cara não tem e não promove é a paz, meu povo! O país que ele governa está envolvido em duas guerras (Afeganistão e Iraque, e não me venham dizer que essas guerras acabaram, please). Não que ele não queira a paz entre os povos, mas isso a minha vizinha, dona Eonice, uma linguaruda fofoqueira também diz que quer, uai. E digo mais: ele disse que vai doar o prêmio de U$ 2.500.000,00. Sinceramente: você acredita num homem desse? Ah, por favor, ele não está batendo bem. Dizer que vai doar toda essa grana no meio da crise que o país dele tá passando? Ele não tem medo do desemprego, não? E a popularidade do bonitão está a pior desde que ele foi eleito. Sei, sei. Se eu ganhasse esse dinheiro todo e dissesse pra minha mãe que iria doá-lo, ela me internaria, com certeza, e com toda a razão. Dá pra confiar num meliante desse? Deus me livre.

Promover a paz é muito difícil, sabe. Imagino que para concorrer ao Nobel, o presidente dos Estados Unidos deva ter feito grandes coisas. Mas eu também já fiz, vejam: Sou professora, vocês bem sabem. E dou aulas para crianças, também. Meu Deus, como é difícil manter a paz entre elas! Sem falar da nossa paz interior que, dependendo da criança que nos cerca, vai embora e nem olha pra trás. Pois bem. Certa vez estava dando minha aulinha, semivirada de costas para os meus alunos, quando senti uma certa movimentação dentro da sala. Quando criei coragem para ver o que estava acontecendo, vi dois alunos, Henrique e Mateus (vejam os nomes de santinhos) se pegando, se batendo, se xingando. O Henrique estava com dois dedos enfiados nos olhos do Mateus que gritava "Eu vou te matar, seu gordo fedidoooooooooooo", "sua mãe tem pelo na tetaaaaaaaaaaaaaaa"... Vejam que clima de paz e harmonia a gente não vê entre os povos, não é mesmo? Minha reação? Como boa promotora da paz, comecei a rir, óbvio, mas percebi que o garoto poderia ficar cego. Não é uma coisa que eu desejo às pessoas, pelo menos não sempre. Então resolvi me meter na briga. Comecei falando baixo, pedindo aos outros alunos (que pareciam mais apostadores em briga de galo) que se afastassem, pedi encarecidamente para que eles parassem de brigar, que cegar alguém não leva a nada, que eu estava muito triste e decepcionada e bla bla bla. Nada adiantou. Alterei meu tom de voz consideravelmente, mas com educação, dizendo que chamaria os pais ou responsáveis dos dois meliantes se não parassem imediatamente com aquela putaria (sim, usei esses termos), nada. Foi quando me bateu a síndrome de batman que só me ataca quando bebo e fui com a cara e a coragem apartar a briga. Tomei socos, levei pontapés, arranhões, puxões de cabelo, mas participei ativamente do reencontro daqueles dois filhos de Deus com a paz. Minha roupra ficou rasgada, cortei a boca, quebrei duas unhas, mas oxalá todos fossem pela paz como eu sou.

Agora me diz: por acaso Barack Obama foi participar ativamente da guerra? Algum de vocês já ouviu falar da quele homem bonitão e elegante saindo de uma briga parecendo o Belchior como eu fiz? Pois é, não. Ficar falando da paz, da paz, da paz e bla bla bla é fácil, minha gente. Vai propagar a paz numa escola do Estado aqui em São Paulo. Aí sim é que são elas.

Por isso mesmo é que começo uma campanha: Nobel pra Manu! gente, tenho um bacuri pra sustentar, sabe. Sou professora, o salário não deixa ninguém rico, depois de amanhã é Dia das Crianças... 2 milhões de dólares cairiam tão bem... e, desculpem, mas não vou mentir: não vou doar nem um centavo, não. Posso até pagar cervejada pros meus amigos, ajudar alguns poucos que merecem (sim, porque minha vizinha, Dona Eunice, por exemplo, não vai ganhar nem uma paçoca rolha), mas doar? Há. É ruim, hein.

Ah, vamos lá, vai, gente. Pelo menos eu sou sincera.

Vota ni mim?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade...
Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram...
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE! Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer: - E daí? EU ADORO VOAR!

Clarice Lispector