
Gente, não é por nada, sabe. Mas hoje estava indo trabalhar, num super mau-humor, óbvio, quando me deparei com a notícia: Barack Obama é prêmio Nobel da Paz. Nhé. Desculpa. Ele é um puta cara, teria votado nele com certeza, é bonitão (sei que isso não tem nada a ver, hahahaha) e está fazendo o que pode, mas Nobel da Paz? Ai, gente, pelamor. Se tem uma coisa que o cara não tem e não promove é a paz, meu povo! O país que ele governa está envolvido em duas guerras (Afeganistão e Iraque, e não me venham dizer que essas guerras acabaram, please). Não que ele não queira a paz entre os povos, mas isso a minha vizinha, dona Eonice, uma linguaruda fofoqueira também diz que quer, uai. E digo mais: ele disse que vai doar o prêmio de U$ 2.500.000,00. Sinceramente: você acredita num homem desse? Ah, por favor, ele não está batendo bem. Dizer que vai doar toda essa grana no meio da crise que o país dele tá passando? Ele não tem medo do desemprego, não? E a popularidade do bonitão está a pior desde que ele foi eleito. Sei, sei. Se eu ganhasse esse dinheiro todo e dissesse pra minha mãe que iria doá-lo, ela me internaria, com certeza, e com toda a razão. Dá pra confiar num meliante desse? Deus me livre.
Promover a paz é muito difícil, sabe. Imagino que para concorrer ao Nobel, o presidente dos Estados Unidos deva ter feito grandes coisas. Mas eu também já fiz, vejam: Sou professora, vocês bem sabem. E dou aulas para crianças, também. Meu Deus, como é difícil manter a paz entre elas! Sem falar da nossa paz interior que, dependendo da criança que nos cerca, vai embora e nem olha pra trás. Pois bem. Certa vez estava dando minha aulinha, semivirada de costas para os meus alunos, quando senti uma certa movimentação dentro da sala. Quando criei coragem para ver o que estava acontecendo, vi dois alunos, Henrique e Mateus (vejam os nomes de santinhos) se pegando, se batendo, se xingando. O Henrique estava com dois dedos enfiados nos olhos do Mateus que gritava "Eu vou te matar, seu gordo fedidoooooooooooo", "sua mãe tem pelo na tetaaaaaaaaaaaaaaa"... Vejam que clima de paz e harmonia a gente não vê entre os povos, não é mesmo? Minha reação? Como boa promotora da paz, comecei a rir, óbvio, mas percebi que o garoto poderia ficar cego. Não é uma coisa que eu desejo às pessoas, pelo menos não sempre. Então resolvi me meter na briga. Comecei falando baixo, pedindo aos outros alunos (que pareciam mais apostadores em briga de galo) que se afastassem, pedi encarecidamente para que eles parassem de brigar, que cegar alguém não leva a nada, que eu estava muito triste e decepcionada e bla bla bla. Nada adiantou. Alterei meu tom de voz consideravelmente, mas com educação, dizendo que chamaria os pais ou responsáveis dos dois meliantes se não parassem imediatamente com aquela putaria (sim, usei esses termos), nada. Foi quando me bateu a síndrome de batman que só me ataca quando bebo e fui com a cara e a coragem apartar a briga. Tomei socos, levei pontapés, arranhões, puxões de cabelo, mas participei ativamente do reencontro daqueles dois filhos de Deus com a paz. Minha roupra ficou rasgada, cortei a boca, quebrei duas unhas, mas oxalá todos fossem pela paz como eu sou.
Agora me diz: por acaso Barack Obama foi participar ativamente da guerra? Algum de vocês já ouviu falar da quele homem bonitão e elegante saindo de uma briga parecendo o Belchior como eu fiz? Pois é, não. Ficar falando da paz, da paz, da paz e bla bla bla é fácil, minha gente. Vai propagar a paz numa escola do Estado aqui em São Paulo. Aí sim é que são elas.
Por isso mesmo é que começo uma campanha: Nobel pra Manu! gente, tenho um bacuri pra sustentar, sabe. Sou professora, o salário não deixa ninguém rico, depois de amanhã é Dia das Crianças... 2 milhões de dólares cairiam tão bem... e, desculpem, mas não vou mentir: não vou doar nem um centavo, não. Posso até pagar cervejada pros meus amigos, ajudar alguns poucos que merecem (sim, porque minha vizinha, Dona Eunice, por exemplo, não vai ganhar nem uma paçoca rolha), mas doar? Há. É ruim, hein.
Ah, vamos lá, vai, gente. Pelo menos eu sou sincera.
Vota ni mim?
Promover a paz é muito difícil, sabe. Imagino que para concorrer ao Nobel, o presidente dos Estados Unidos deva ter feito grandes coisas. Mas eu também já fiz, vejam: Sou professora, vocês bem sabem. E dou aulas para crianças, também. Meu Deus, como é difícil manter a paz entre elas! Sem falar da nossa paz interior que, dependendo da criança que nos cerca, vai embora e nem olha pra trás. Pois bem. Certa vez estava dando minha aulinha, semivirada de costas para os meus alunos, quando senti uma certa movimentação dentro da sala. Quando criei coragem para ver o que estava acontecendo, vi dois alunos, Henrique e Mateus (vejam os nomes de santinhos) se pegando, se batendo, se xingando. O Henrique estava com dois dedos enfiados nos olhos do Mateus que gritava "Eu vou te matar, seu gordo fedidoooooooooooo", "sua mãe tem pelo na tetaaaaaaaaaaaaaaa"... Vejam que clima de paz e harmonia a gente não vê entre os povos, não é mesmo? Minha reação? Como boa promotora da paz, comecei a rir, óbvio, mas percebi que o garoto poderia ficar cego. Não é uma coisa que eu desejo às pessoas, pelo menos não sempre. Então resolvi me meter na briga. Comecei falando baixo, pedindo aos outros alunos (que pareciam mais apostadores em briga de galo) que se afastassem, pedi encarecidamente para que eles parassem de brigar, que cegar alguém não leva a nada, que eu estava muito triste e decepcionada e bla bla bla. Nada adiantou. Alterei meu tom de voz consideravelmente, mas com educação, dizendo que chamaria os pais ou responsáveis dos dois meliantes se não parassem imediatamente com aquela putaria (sim, usei esses termos), nada. Foi quando me bateu a síndrome de batman que só me ataca quando bebo e fui com a cara e a coragem apartar a briga. Tomei socos, levei pontapés, arranhões, puxões de cabelo, mas participei ativamente do reencontro daqueles dois filhos de Deus com a paz. Minha roupra ficou rasgada, cortei a boca, quebrei duas unhas, mas oxalá todos fossem pela paz como eu sou.
Agora me diz: por acaso Barack Obama foi participar ativamente da guerra? Algum de vocês já ouviu falar da quele homem bonitão e elegante saindo de uma briga parecendo o Belchior como eu fiz? Pois é, não. Ficar falando da paz, da paz, da paz e bla bla bla é fácil, minha gente. Vai propagar a paz numa escola do Estado aqui em São Paulo. Aí sim é que são elas.
Por isso mesmo é que começo uma campanha: Nobel pra Manu! gente, tenho um bacuri pra sustentar, sabe. Sou professora, o salário não deixa ninguém rico, depois de amanhã é Dia das Crianças... 2 milhões de dólares cairiam tão bem... e, desculpem, mas não vou mentir: não vou doar nem um centavo, não. Posso até pagar cervejada pros meus amigos, ajudar alguns poucos que merecem (sim, porque minha vizinha, Dona Eunice, por exemplo, não vai ganhar nem uma paçoca rolha), mas doar? Há. É ruim, hein.
Ah, vamos lá, vai, gente. Pelo menos eu sou sincera.
Vota ni mim?

