sábado, 17 de maio de 2008

Rejeitados. Enfim, famosos.


Vejam só o que eu encontrei! Meu primeiro texto na internet, é velhinho, mas o acho tão legal...
Dêem uma olhadinha! É de abril de 2007!




Certa vez li em um livro de Flávio Gikovate, um psicanalista de quem gosto muito, algo que falava sobre a rejeição e de como esse sentimento pode mover nossas atitudes durante nossas vidas. Diz ele que nossa primeira sensação de rejeição é no momento em que nascemos: o bebê, que está quietinho dentro da barriga de sua mãe, vê-se, de uma hora para outra, expelido do ambiente em que passou toda a sua existência até então; vê-se num mundo estranho, frio, cheio de coisas esquisitas e sente-se, imediatamente, rejeitado pela mãe e essa memória, essa sensação de que está sendo rejeitado ficará em sua lembrança por toda a vida, inconsciente, e se não for trabalhada de uma forma que seja ao menos minimizada, provocará atitudes neuróticas, talvez até psicóticas no indivíduo toda vez que o mesmo se deparar com situações em que não se sente aceito. Claro que essa explicação é mínima e que o tema daria uma tese, mas resumidamente é isso que acontece.Isso me faz pensar no sul-coreano que matou mais de 30 e feriu mais não sei quantos nos Estados Unidos nesses últimos dias. Ele mandou para a imprensa americana fotos e textos minutos depois de matar alguns dos estudantes (até agora não se sabe quando, exatamente, o material foi preparado) dizendo coisas como "Vocês vandalizaram meu coração e queimaram minha consciência" ou "vocês achavam que eu era um garoto patético" ou então "morri como Jesus Cristo, para inspirar pessoas indefesas". Um sóciopata, claro. Mas ninguém nasce assim. Ou nasce? Podemos nascer com certa pré-disposição, mas precisamos de um estímulo para que esta seja desencadeada. Ou não?? Imaginem uma pessoa que cresceu se sentindo rejeitada, diferente, que foi discriminada, humilhada por ter seu comportamento diferente (não pior) que o da maioria das pessoas que o cerca. Como deve ser? Que pessoa se torma alguém que nunca se sentiu aceito?O que se sabe é que o jovem estudante de Letras chegou aos Estados Unidos quando tinha 8 anos porque os pais queriam dar a ele uma educação melhor, proporcionar-lhe boas escolas e melhores oportunidades. De fato, estudar em uma universidade como aquela não é oportunidade que cai do céu. Mas não sei se os pais de Cho, o garoto, alcançaram seus objetivos de fato. Será que sabiam como são os americanos Será que sabiam como são preconteituosos e manipuladores?? Bom, o comportamento dos jovens americanos é mostrado nos filmes: é mais do que comum assistirmos na "Sessão da Tarde" filminhos merrecas que falam das meninas feias e rejeitadas por toda a escola, que é apaixonada pelo jogador de beisebol, desprezada pela patricinhas da escola e que sonha em ser a rainha do baile de formatura. O comportamento doente americano não é segredo pra ninguém. Sabemos como os orientais são mais recatados, mais "fechados", mais conservadores do que nós, ocidentais, por simples razões culturais. Imagino como esse menino sofreu para adaptar-se a esse jeito maligno de ver o mundo.O menino Cho sempre foi visto como um menino quieto, de poucos amigos, que pouco falava. Em seus textos da faculdade, já apresentava traços de psicopatia, dizem os professores. O que fez deste menino este "monstro"? Será que se ele tivesse crescido na Coréia do Sul. junto de sua família toda, de seus avós, de pessoas que entenderiam seu comportamento recatado, ele teria feito o que fez? Será que se sentiria rejeitado como, tenho certeza, se sentiu? Acredito, e não acho que esteja pensando bobagem, que este menino é apenas fruto de uma cultura doente, preconceituosa, que domina muitas outras culturas: a cultura americana, a cultura do consumo, uma cultura quase que padronizada, globalizada, que faz com que as pessoa percam a noção de quem são, vendo-se obrigadas a agir de determinada forma, para se encaixar naqueles padrões. E ai de quem ousar ser diferente. Sabemos o quão preconceituosos são os americanos, não sejamos hipócritas. Claro que isso não faz o garoto menos culpado ou a catástrofe menos absurda, mas diante de uma coisa dessas, não podemos ficar tão assustados a ponto de não questionar o porquê desta atitude. Obviamente, não são todas as pessoas que fariam o que ele fez se se sentissem rejeitadas, desprezadas, mas existe uma predisposição ao descontrole, e isso, penso eu, já faz parte do contexto do mundo globalizado (de fato, há 50, 70 anos atrás, não era tão comum esse tipo de coisa acontecer).É hora de refletirmos sobre a cultura que nos espanca todos os dias, esse americanismo todo, essa atitude que eles têm que, a cada dia, atinge mais e mais pessoas. . Por enquanto, esses casos acontecem com mais frequëncia nos Estados Unidos, mas com o crescimento deste império, daqui a pouco, o mundo todo será parte disso e incidentes como o desta semana serão comuns no mundo todo, seremos todos parte desta cultura que rejeita, que humilha e que desrespeita até mesmo aqueles que são parte dela.Não quero entrar nos outros "incidentes" como aquele de Columbine e outros, onde o assunto "rejeição" também poderia ser discutido e adotado como ponto de partida. Mas já está na hora de pararmos de aceitar como normal o fato de um país inteiro dar uma de Narciso e "achar feio o que não é espelho".

NAMORADO SABOR KI-SUCO


Dia desses, numa mesa de bar, com amigos, fui surpreendida por um papo absolutamente machista e bobo. Meus amigos homens, já um tano pra lá de Bagdá, começaram a comparar as mulheres às mais diferentes bebidas. Sim, bêbado é uma $%#@&*. No começo da conversa fiquei brava, onde já se viu um negócio desses e coisa e tal. Dei um sermão de teor feminista e, claro, fui completamente ignorada por eles, meus amigos de infância que, alegres, estavam se divertindo com a nova teoria.
De cara feia, passei a fazer o que me restava: tomar cerveja, ouvir a conversa e rir. Sim, porque o papo estava muito engraçado mesmo, eu é que não queria dar o braço a torcer.
Mal sentou à mesa, André, pai de família, homem muito íntegro, começou a filosofar, "mulher boa mesmo, é a mulher-saquê. Mesmo que a gente beba muito, difícil enjoar e não dá ressaca no dia seguinte". Já Fernando, pai de dois filhos, profissional muito bem-sucedido, concordou: "É mesmo... mulher saquê é que é bom. Minha mulher é a mulher-vinho. É docinha no começo, deixa a gente alegre, mas se a gente bebe muito, só dá dor de cabeça. Pior é que a gente jura toda vez que nunca mais vai beber, mas sabe como é...". Fábio, o único solteiro, disse "Não sou chegado às saquê, não... gosto mesmo é das mulheres-cerveja, são boas no frio, no calor, tem loira, morenona, esquenta no frio, refresca no calor, tem importada, nacional e geralmente não faz a gente gastar muito dinheiro, não...". Acabou que o papo durou mais de três horas. Nem eu sabia da variedade de bebidas e muito mens da variedade de mulheres, vou te contar. Os meninos gargalhavam tanto que perdiam o ar. Chamavam os garçons para a conversa e, para a minha surpresa, todos eles tinham um exemplo diferente de "mulher-bebida"pra citar. As pessoas das mesas ao lado, se divertiam. Cheguei em casa meio alegrinha, mas sóbria e parei pra pensar. Pois não é que é verdade? Existem, sim, pessoas-bebidas. Claro que não do jeito que eles falavam no bar, não com aquelas definições horríveis, mas se pararmos um pouquinho pra pensar, dá sim pra classificar algumas pessoas em bebidas.
Eu, por exemplo. Quisera eu não ter conhecido o pior tipo de pessoa-bebida que existe: a pessoa-água. É cruel. Tive há pouco um relacionamento com uma pessoa assim. Não é fácil identificar uma pessoa-a'gua. Elas vêm disfarçadas com corante, parecem ki-suco ou algo assim, mas são insípidos, incolores e inodoros, Resumindo: muito sem graça. Podem até pensar: mas a água é absolutamente necessária à vida e quanto mais a bebemos, melhor fazemos a nós mesmos. Mas experimenta beber cinco copos cheios de uma vez. Dá náusea! E as pessoas-água, pior, causam "nhaca".
O rapazinho citado acima é o mais legítimo dos exemplos: não tem gosto de nada, não me causava vontade alguma, não me acrescentava nada. Absolutamente acomodado e alienado, achava lindo sentar-se em meu sofá e ali passar hora e horas seguidas sem abrir a boca (nunca teve nada interessante a dizer) e quebrava o silêncio quase eterno dizendo que me amava. Tentei, juro, transformá-lo em drinques fantásticos, colocando um limãozinho, um pouco de uísque, groselha e até mesmo um pouquinho de açúcar; tentei, vejam só a que ponto cheguei, transformá-lo em soro: uma pitadinha de açúcar e duas de sal. Nada. Não consegui dar a ele nenhum gostinho. Sem graça, sem graça, tadinho.
O problema é que ele gosta, até hoje, de ser água. Nem bactérias ele tinha, apesar de ser água parada, um foco perfeito para o mosquito da dengue, mas nem o mosquito ia querer uma água besta dessas. Ele acha o máximo ser água.
As pessoas-água, como ele, não têm gosto nenhum. Não fazem mal a ninguém (não porque não o querem, mas porque não conseguem). Causam enjôo em muito pouco tempo e não há Tangue que dê jeito. Elas não conseguem, sequer, ser divertidas, não têm o que dizer, vivem paradas, alienadas na vidinha medíocre que levam. Essas pessoas, não fedem nem cheiram e, por isso, não nos servem para nada. E foi assim que eu descobri o porquê de ter dado-lhe um pé na bunda tão fenomenal. Eita nóis.
Depois de ter xingado tanto meus amigos por ter classificado as mulheres em bebidas (um absurdo, lógico) e de ter me recusado a participar daquela conversa, voltei ao pensameno que sempre tive comigo como certo: os bêbados são os maiores filósofos que já existiram. Platão, Sócrates e até mesmo Santo Agostinho só foram o que foram porque bebiam. Tenho certeza disso.

A primeira.

Me recuso a fazer do meu blog um "porta-letras-de-música". Aqui não há "copiar/colar", não. Se postar, em algum momento, a letra de uma música, é porque gosto dela, só isso. Mas aqui, faço questão de escrever o que penso. Porque penso. Esses dias vi um blog muito ruim. O sujeito não tem repertório pra escrever nada, coitado, digo isso porque o conheço. Ele não consegue nem manter uma conversa por mais de um minuto. Me jurei que jamais me permitiria ser assim, tão medíocre.
Eu sou a Manu. Eu vivo, penso, reflito. Olho e vejo. Aprendo. Erro. Conserto. E assim é a vida. Cada segundo de vida é, para mim, uma experiência novae no segundo seguinte já estou refletindo sobre o segundo que passou. Isso é aprender.
Que medo eu tenho de passar a vida sentada no sofá assistindo aos seriados americanos da TV à cabo e me tornar uma idiota. Que medo, meu Deus. Que medo de ficar como esse moço que, coitado, passou pela vida e nem a viu porque estava muito ocupado jogando vídeo-game.
Nossa. Que medo.
Aqui estão os meus pensamentos e o que eu sinto, mas com as minhas palavras. Porque ninguém nesse mundo sabe falar melhor sobre mim do que eu mesma.