
Dia desses, numa mesa de bar, com amigos, fui surpreendida por um papo absolutamente machista e bobo. Meus amigos homens, já um tano pra lá de Bagdá, começaram a comparar as mulheres às mais diferentes bebidas. Sim, bêbado é uma $%#@&*. No começo da conversa fiquei brava, onde já se viu um negócio desses e coisa e tal. Dei um sermão de teor feminista e, claro, fui completamente ignorada por eles, meus amigos de infância que, alegres, estavam se divertindo com a nova teoria.
De cara feia, passei a fazer o que me restava: tomar cerveja, ouvir a conversa e rir. Sim, porque o papo estava muito engraçado mesmo, eu é que não queria dar o braço a torcer.
Mal sentou à mesa, André, pai de família, homem muito íntegro, começou a filosofar, "mulher boa mesmo, é a mulher-saquê. Mesmo que a gente beba muito, difícil enjoar e não dá ressaca no dia seguinte". Já Fernando, pai de dois filhos, profissional muito bem-sucedido, concordou: "É mesmo... mulher saquê é que é bom. Minha mulher é a mulher-vinho. É docinha no começo, deixa a gente alegre, mas se a gente bebe muito, só dá dor de cabeça. Pior é que a gente jura toda vez que nunca mais vai beber, mas sabe como é...". Fábio, o único solteiro, disse "Não sou chegado às saquê, não... gosto mesmo é das mulheres-cerveja, são boas no frio, no calor, tem loira, morenona, esquenta no frio, refresca no calor, tem importada, nacional e geralmente não faz a gente gastar muito dinheiro, não...". Acabou que o papo durou mais de três horas. Nem eu sabia da variedade de bebidas e muito mens da variedade de mulheres, vou te contar. Os meninos gargalhavam tanto que perdiam o ar. Chamavam os garçons para a conversa e, para a minha surpresa, todos eles tinham um exemplo diferente de "mulher-bebida"pra citar. As pessoas das mesas ao lado, se divertiam. Cheguei em casa meio alegrinha, mas sóbria e parei pra pensar. Pois não é que é verdade? Existem, sim, pessoas-bebidas. Claro que não do jeito que eles falavam no bar, não com aquelas definições horríveis, mas se pararmos um pouquinho pra pensar, dá sim pra classificar algumas pessoas em bebidas.
Eu, por exemplo. Quisera eu não ter conhecido o pior tipo de pessoa-bebida que existe: a pessoa-água. É cruel. Tive há pouco um relacionamento com uma pessoa assim. Não é fácil identificar uma pessoa-a'gua. Elas vêm disfarçadas com corante, parecem ki-suco ou algo assim, mas são insípidos, incolores e inodoros, Resumindo: muito sem graça. Podem até pensar: mas a água é absolutamente necessária à vida e quanto mais a bebemos, melhor fazemos a nós mesmos. Mas experimenta beber cinco copos cheios de uma vez. Dá náusea! E as pessoas-água, pior, causam "nhaca".
O rapazinho citado acima é o mais legítimo dos exemplos: não tem gosto de nada, não me causava vontade alguma, não me acrescentava nada. Absolutamente acomodado e alienado, achava lindo sentar-se em meu sofá e ali passar hora e horas seguidas sem abrir a boca (nunca teve nada interessante a dizer) e quebrava o silêncio quase eterno dizendo que me amava. Tentei, juro, transformá-lo em drinques fantásticos, colocando um limãozinho, um pouco de uísque, groselha e até mesmo um pouquinho de açúcar; tentei, vejam só a que ponto cheguei, transformá-lo em soro: uma pitadinha de açúcar e duas de sal. Nada. Não consegui dar a ele nenhum gostinho. Sem graça, sem graça, tadinho.
O problema é que ele gosta, até hoje, de ser água. Nem bactérias ele tinha, apesar de ser água parada, um foco perfeito para o mosquito da dengue, mas nem o mosquito ia querer uma água besta dessas. Ele acha o máximo ser água.
As pessoas-água, como ele, não têm gosto nenhum. Não fazem mal a ninguém (não porque não o querem, mas porque não conseguem). Causam enjôo em muito pouco tempo e não há Tangue que dê jeito. Elas não conseguem, sequer, ser divertidas, não têm o que dizer, vivem paradas, alienadas na vidinha medíocre que levam. Essas pessoas, não fedem nem cheiram e, por isso, não nos servem para nada. E foi assim que eu descobri o porquê de ter dado-lhe um pé na bunda tão fenomenal. Eita nóis.
Depois de ter xingado tanto meus amigos por ter classificado as mulheres em bebidas (um absurdo, lógico) e de ter me recusado a participar daquela conversa, voltei ao pensameno que sempre tive comigo como certo: os bêbados são os maiores filósofos que já existiram. Platão, Sócrates e até mesmo Santo Agostinho só foram o que foram porque bebiam. Tenho certeza disso.
De cara feia, passei a fazer o que me restava: tomar cerveja, ouvir a conversa e rir. Sim, porque o papo estava muito engraçado mesmo, eu é que não queria dar o braço a torcer.
Mal sentou à mesa, André, pai de família, homem muito íntegro, começou a filosofar, "mulher boa mesmo, é a mulher-saquê. Mesmo que a gente beba muito, difícil enjoar e não dá ressaca no dia seguinte". Já Fernando, pai de dois filhos, profissional muito bem-sucedido, concordou: "É mesmo... mulher saquê é que é bom. Minha mulher é a mulher-vinho. É docinha no começo, deixa a gente alegre, mas se a gente bebe muito, só dá dor de cabeça. Pior é que a gente jura toda vez que nunca mais vai beber, mas sabe como é...". Fábio, o único solteiro, disse "Não sou chegado às saquê, não... gosto mesmo é das mulheres-cerveja, são boas no frio, no calor, tem loira, morenona, esquenta no frio, refresca no calor, tem importada, nacional e geralmente não faz a gente gastar muito dinheiro, não...". Acabou que o papo durou mais de três horas. Nem eu sabia da variedade de bebidas e muito mens da variedade de mulheres, vou te contar. Os meninos gargalhavam tanto que perdiam o ar. Chamavam os garçons para a conversa e, para a minha surpresa, todos eles tinham um exemplo diferente de "mulher-bebida"pra citar. As pessoas das mesas ao lado, se divertiam. Cheguei em casa meio alegrinha, mas sóbria e parei pra pensar. Pois não é que é verdade? Existem, sim, pessoas-bebidas. Claro que não do jeito que eles falavam no bar, não com aquelas definições horríveis, mas se pararmos um pouquinho pra pensar, dá sim pra classificar algumas pessoas em bebidas.
Eu, por exemplo. Quisera eu não ter conhecido o pior tipo de pessoa-bebida que existe: a pessoa-água. É cruel. Tive há pouco um relacionamento com uma pessoa assim. Não é fácil identificar uma pessoa-a'gua. Elas vêm disfarçadas com corante, parecem ki-suco ou algo assim, mas são insípidos, incolores e inodoros, Resumindo: muito sem graça. Podem até pensar: mas a água é absolutamente necessária à vida e quanto mais a bebemos, melhor fazemos a nós mesmos. Mas experimenta beber cinco copos cheios de uma vez. Dá náusea! E as pessoas-água, pior, causam "nhaca".
O rapazinho citado acima é o mais legítimo dos exemplos: não tem gosto de nada, não me causava vontade alguma, não me acrescentava nada. Absolutamente acomodado e alienado, achava lindo sentar-se em meu sofá e ali passar hora e horas seguidas sem abrir a boca (nunca teve nada interessante a dizer) e quebrava o silêncio quase eterno dizendo que me amava. Tentei, juro, transformá-lo em drinques fantásticos, colocando um limãozinho, um pouco de uísque, groselha e até mesmo um pouquinho de açúcar; tentei, vejam só a que ponto cheguei, transformá-lo em soro: uma pitadinha de açúcar e duas de sal. Nada. Não consegui dar a ele nenhum gostinho. Sem graça, sem graça, tadinho.
O problema é que ele gosta, até hoje, de ser água. Nem bactérias ele tinha, apesar de ser água parada, um foco perfeito para o mosquito da dengue, mas nem o mosquito ia querer uma água besta dessas. Ele acha o máximo ser água.
As pessoas-água, como ele, não têm gosto nenhum. Não fazem mal a ninguém (não porque não o querem, mas porque não conseguem). Causam enjôo em muito pouco tempo e não há Tangue que dê jeito. Elas não conseguem, sequer, ser divertidas, não têm o que dizer, vivem paradas, alienadas na vidinha medíocre que levam. Essas pessoas, não fedem nem cheiram e, por isso, não nos servem para nada. E foi assim que eu descobri o porquê de ter dado-lhe um pé na bunda tão fenomenal. Eita nóis.
Depois de ter xingado tanto meus amigos por ter classificado as mulheres em bebidas (um absurdo, lógico) e de ter me recusado a participar daquela conversa, voltei ao pensameno que sempre tive comigo como certo: os bêbados são os maiores filósofos que já existiram. Platão, Sócrates e até mesmo Santo Agostinho só foram o que foram porque bebiam. Tenho certeza disso.


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