Estou querendo viver comigo.
E isso é uma dor fantasma.
Aqui tem um desgaste qualquer
de qualquer coisa ainda sem nome.
Quando se interrompe o silêncio de aqui
por qualquer não-silêncio -
o barulho da fumaça saindo da boca,
o barulho das teclas,
o ar que vem lá de fora
o ar que sai daqui de dentro, sem controle (não controlo, aceito)
o ruído da TV no outro quarto,
o pensamento, barulho que ensurdece (não controlo)
É uma dor fantasma.
É um cansaço de fatiga.
A dor existe porque acredito nela.
As outras coisas me cansam,
ainda que viver com elas - difíceis
seja um menor cansaço de aqui.
As tentativas de ver o outro
são a fuga que encontrei
pra não ver o que existe.
Aqui.
Estou tentando encontrar o que sei que há aqui no escuro
Apalpo, toco, reconheço:
Seda, ouro, linho, lixo?
Não vejo. Não identifico.
Não há identidade entre o que encontro e mim.
Sei bem que não falta nada
porque me tenho aqui: rígida,
forte, inteira.
Tremores, suores, cacoetes insuportáveis
ideias dos outros vazios que conheci
fora de mim.
Estou aqui. Tenho certeza(s).
Mas está escuro do lado de dentro.
Não quero sair, não quero.
Só quero acender a luz.
É uma dor fantasma.
Ela existe porque acredito nela.
sábado, 16 de janeiro de 2010
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