Uma coisa é fato. Você não tem ideia do quanto me importo, do quanto você é importante pra mim. Talvez por isso me faça as coisas que faz. Não, não são coisas graves. Aos olhos dos outros, os que parecem normais, é uma bobagem, mesmo.
É claro que você não vai ler isso e se o fizer não vai saber que escrevi pensando em você. Porque você não faz ideia do que sinto, mesmo. Talvez eu seja careta demais, séria demais, chata demais pras suas brincadeiras e isso me faz pensar no quanto tudo que sinto é uma bobagem grande, uma tentativa boba de fugir de mim mesma pra viver uma coisa que me faria voar de novo.
Me pego pensando, vira e mexe, no que me fez te dar tanta importância.
Você não sabe, por exemplo, que imagino muitas coisas boas entre nós. Certa vez fiquei imaginando que tinha comprado as passagens de avião, ida e volta, mas para o mesmo dia e que nosso encontro seria ali no aeroporto, mesmo. Eu chegaria com o meu casaco verde-militar - estaria muito frio - só com a minha bolsa preta, óculos escuros de aros azuis e um salto bem alto, minha bota preta que teria comprado só pra esse momento (porque não queria que você me visse tão pequenina como sou de verdade, queria causar um certo impacto de mulher forte). Ao me ver, você pensaria "Nossa, ela é linda mesmo. E mais alta do que eu imaginava". Você estaria vestindo calça jeans, camiseta escura, casaco marrom quentinho e tênis (bem do jeito que eu gosto), sem gel no cabelo preto que você tem - detesto gel no cabelo. Eu provavelmente pensaria em como você estava do jeito que eu imaginava e reparando no seu nariz pequeno e lindo e nas suas sobrancelhas grossas. Eu andaria por aquele corredor por onde passam as pessoas cheias de malas, você me esperando com um sorriso no rosto, me reconheceria de primeira, talvez por causa dos meus cabelos curtos e estranhos. Num primeiro momento, nos abraçaríamos apertado como se nos conhecêssemos já há algum tempo, porém como se não nos víssemos há anos e estivéssemos esperando por aquele momento ansiosos e temerosos. Não havia tempo. Eu tinha que voltar ao trabalho a noite, então passaríamos a tarde por lá, mesmo. Almoçaríamos em um daqueles restaurantes do aeroporto e você pensaria em quando sacrifício eu estava fazendo só pra te ver. Tentaríamos falar sobre o maior número de coisas possíveis porque o tempo era curto. Talvez sobre o show do Fito Paez por que tanto esperávamos e de que jamais chegava notícia alguma: "E o show do Fito Paez, hein? Em 2008 fui ao show dele aqui, foi muito foda", "Ah, que invejinha" - eu diria, pensando "Quero tanto te dar um abraço agora". Não nos faltaria assunto ainda que nos conheçamos pouco e saibamos pouco um do outro. Em uma mesa qualquer de lá, chegaria um momento em que nós dois ficaríamos em silêncio (como se tivéssemos combinado de nos calar) e daí então nos beijaríamos com carinho e seria tudo exatamente do jeito que eu pensava. Um daqueles beijos que se dão com carinho, morninhos, devagar. Aqueles beijos que damos em quem a gente gosta de verdade, abraçando de verdade e com delicadeza porque queremos tomar cuidado. Aqueles beijos que se dão segurando o pescoço, ou a nuca, de vez em quando fazendo um carinho no rosto.
A partir daquele momento, o tempo passaria tão rápido que ao abrirmos os olhos já seria hora de eu embarcar de novo pra São Paulo, com uma angústia enorme de saudade do que nem imaginava viver um dia. Chorando bem pouquinho eu diria "Tenho que ir" e você diria alguma coisa muito linda, qualquer coisa que me fizesse pensar que nada havia acabado ali, mas que era o começo de tudo, um tudo que não queria terminar nunca, ainda que fosse mentira, só pra me deixar feliz porque acredita que não mereço desacreditar de uma coisa tão linda como aquela.
Eu embarcaria e, no avião, durante as 2, 3 horas de voo não conseguiria parar de imaginar outros momentos como aqueles que havíamos passado e pensaria em não ir trabalhar porque estava feliz demais pra isso. E durante muito tempo tudo aquilo seria meu principal pensamento, minha melhor lembrança na vida. Não fecharia os olhos tão cedo de medo de não conseguir sonhar com tudo aquilo - queria passar a vida toda me lembrando.
Sim, eu imaginei isso. Mas não quis imaginar o depois porque o depois das coisas é sempre tão incerto e, pelo menos nas minhas histórias imaginadas, gosto de ter certeza de tudo e tudo deu certo até então na historinha que criei.
Ainda te escrevo as outras coisas bobas que já passaram pela minha imaginação besta. Mas não te mandarei, não. Porque não vai fazer muita diferença, mesmo. As coisas serão sempre as mesmas: Espera, dorzinha, espera e outras coisas que não nomeio.
Quando você briga comigo, me dói tudo.
Passei a noite chorando e você nem sabe. Ou talvez saiba, mas nem imagina que foi por sua causa. Não, não foi você quem me causou mal. Ao contrário, ´você só me dá alegrias. Eu é que sou estranha.
Não tente imaginar o que sinto porque vai cometer um erro imenso. Meus sentimentos quem nomeia sou eu e detesto quando resolvem dar nomes às coisas. Elas já possuem seus próprios nomes, nescem com eles, ainda que não os conheçamos. O que sinto por você tem lá seu nome, sim, mas não deve haver um equivalente em Português (nem em Inglês, nem em Espanhol, já me dei ao trabalho de procurar por ele). Vou esperar até descobri-lo. Mas quando o fizer, não vou te contar, não. Porque talvez seja muito tarde pra isso e tudo já terá passado.
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